Preconceito Linguístico e Ensino de Português


Como você já deve estar sabendo, a sociolinguística tem uma proposta de estudar tudo que as pessoas falam, o uso real da língua (se você ainda não está por dentro desse assunto, clique aqui) e isso inclui os chamados erros, que na verdade, não têm nada de errado, muito pelo contrário. Sabendo disso, não devemos considerar que uma maneira de falar pode ser melhor do que outra, pois, se todas merecem ser estudadas e - já foi comprovado - têm regra, lógica e sentido, não podemos fazer uma separação entre elas: são todas importantes, válidas, úteis!

Infelizmente, alguns professores ainda não sabem disso, ou sabem e procuram ignorar... E aí começa o nosso problema na escola. Ora, a sociolinguística não quer que tudo vire bagunça, de jeito nenhum, muito menos que acabem as aulas de português. Os professores não vão ficar sem empregos, pois eles precisam sim ensinar aquilo que a gramática diz que é o correto (e que aqui vamos chamar de norma padrão). Todos precisamos estudar e aprender cada vez mais sobre a nossa língua, pra que possamos usar o máximo dela. O problema é como esse ensino tem sido feito...

Afinal, o que a sociolinguística quer dizer?

A ideia da sociolinguística é que os professores mudem seu modo de abordar as diversas maneiras de falar que encontramos não só nas salas de aula mas também na sociedade como um todo. Assim, ao invés de corrigir e humilhar, tentando obrigar o aluno a aprender regras que ele nunca viu ou usou, o professor pode fazer um caminho contrário, muito mais interessante e com mais respeito pela fala dos seus alunos: entendendo que essas falas diferentes também têm regras e que seus alunos já dominam facilmente essas regras (se não dominassem, não falariam, né?), o professor pode partir dessas regras já conhecidas e ir ensinando as desconhecidas que estão nos livros de gramática! Dessa maneira, o aluno vai se sentir mais confortável, respeitado e livre pra escolher em que momento deve usar cada uma das regras e maneiras de falar que ele conhece.

Essa proposta faz parte do que é chamado de sociolinguística educacional, que é uma parte da sociolinguística que se dedica a aplicar os conceitos e ideias dessa área de estudos no ensino. Muitos linguistas e professores já fazem esse tipo de trabalho, e estão cada vez mais buscando soluções para melhorar a aprendizagem dos alunos de português, sempre respeitando as variações linguísticas. Isso parece algo novo, diferente e ousado, mas está na lei!

Os Parâmetros Curriculares Nacionais, que são um conjunto de regrinhas que as escolas devem seguir sobre o que devem ensinar para os estudantes, determinam que a proposta de ensino de português deve incluir as variações linguísticas e contribuir para acabar com o pensamento sem fundamento de que só existe uma maneira certa de falar. Então, olhando por esse lado, a sociolinguística é que está seguindo as regras, e aqueles que continuam ensinando como se a norma padrão fosse a única que é correta, estão desobedecendo aos PCN's... Bonito isso, hein?

Adequação: a palavra-chave!

Você sabe o que significa "se adequar"? Significa que você age de maneiras diferentes em diferentes situações. Por exemplo: a maioria das pessoas não vai a um casamento de biquíni ou a uma praia de terno, certo? Isso porque fazer essas coisas seria inadequado ao local.

O mesmo acontece com a fala. Não falamos da mesma forma com todas as pessoas que conhecementos ou em todos os lugares que vamos: isso se chama adequação. Todos nós usamos a adequação o tempo inteiro, mas é tão natural e automático que não percebemos! Quer exemplos? Quando você está com seus colegas batendo papo, você fala de um jeito mais tranquilo, sem se preocupar muito, usa gírias e até palavrões. Mas se você for tirar uma dúvida com seu professor, vai mudar rapidinho a maneira de falar: mais sério, pensando bem no que vai dizer, nada de gírias ou palavrões. Não é assim mesmo?

Isso é adequação, e é o que devemos fazer também quando se trata de maneiras de falar diferentes. Se você costuma conversar com sua família e dizer coisas como menas, pra mim fazer e os menino, sem problemas! Mas, quando for fazer uma prova oral ou uma entrevista de emprego, preste bastante atenção pra usar menos, pra eu fazer e os meninos.

Mas se está certo, por que não posso usar sempre?

Depois de ler a última frase, você deve estar se perguntando isso. Acontece que, como já explicamos aqui (O que é Preconceito Linguístico?), a maioria da nossa sociedade comete mas não conhece o Preconceito Linguístico, e continua achando que existe só uma maneira certa de falar. Estamos lutando para mudar esse pensamento, mas, enquanto isso, precisamos ter cuidado, pois podemos sofrer com esse preconceito e perder oportunidades por conta dele. Triste, né?

Por isso, temos que cada vez mais divulgar, falar, discutir e acabar com o Preconceito Linguístico. Alunos, professores, jovens, adultos, crianças, homens, mulheres... todos são bem vindos nessa luta, e juntos, pouco a pouco, poderemos mudar não só o ensino de português, mas as ideias preconceituosas das pessoas sobre a nossa língua.

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